Camboinhas

Camboinhas localiza-se em parte às margens da Lagoa de Itaipu e em contato com o Oceano Atlântico, limitando-se também com Piratininga e Itaipu. O nome do bairro originou-se de episódio envolvendo dois navios nas águas oceânicas em frente ao bairro. Na noite de 28 de maio de 1958, devido ao mal tempo, um deles encalhou na areia, o cargueiro CAMBOINHAS (clique nas fotos), para socorrê-lo a Marinha enviou a corveta ANGUSTURA, que também encalhou, sendo depois resgatada. Quanto ao cargueiro, partiu-se ao meio na tentativa de resgate e teve que ser desmontado e ainda hoje resta enterrada na areia da praia, visível na maré baixa, restos do casco (quilha). Placas no local alertam aos banhistas para o perigo dos restos do encalhe e do naufrágio.

Na parte em contato com o Oceano, o bairro possuía perfil geomorfológico típico de beira-mar. Praia, dunas arenosas e vegetação de restinga. Mas no final dos anos setenta, a partir de 1978, verdadeiro furacão varreu Camboinhas – o projeto de loteamento conduzido pela Veplan, empresa imobiliária sediada no Rio de Janeiro.

A praia de Camboinhas foi cercada com arame farpado e a restinga, foram aplainadas a trator para facilitar o parcelamento e a demarcação dos lotes. As praias de Camboinhas e de Itaipu, que formavam uma única paisagem, foram separadas com a escavação de canal permanente, protegido por pedras, para acessar a marina que seria construída ao lado do apart-hotel erguido na restinga. O canal permanente quebrou o ciclo natural de lagoa de arrebentação que Itaipú tinha – a de romper a sua barra arenosa, ligando-se ao mar, na época das chuvas. Este processo, que se repetia anualmente, permitia que os cardumes saíssem do mar, subissem a correnteza e desovassem no interior da lagoa, de águas calmas e protegidas, perpetuando espécies.

A Veplan Imobiliária não só rompeu o ciclo natural de renovação das águas e das espécies da lagoa de Itaipu, como também dragou o seu fundo – acarretando consequências trágicas para a vizinha Lagoa de Piratininga.

No outro extremo de Camboinhas, partindo do canal artificial, vamos encontrar um costão quase abrupto, onde semi-oculta está a praia do Sossego que devido ao difícil acesso, preservou durante muito tempo a sua vegetação natural de restinga.

Depois de alguns anos iniciou seu processo de urbanização, a princípio apenas através do surgimento de residências de veraneio; posteriormente foi assumindo um padrão mais residencial, caracterizado por construções de padrão médio e alto. Camboinhas apresenta uma alta taxa de alfabetização (92,74%), cabendo ressaltar essa ocorrência também nas faixas etárias da população adulta, condizendo com o padrão econômico dos moradores e diferenciando-se, substancialmente, da realidade encontrada em bairros mais pobres, nos quais a ocorrência de analfabetismo, na população de mais de 60 anos, tende ao crescimento.